São Paulo, 13 de dezembro de 2018
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Em excesso, castanha-do-pará pode fazer mais mal do que bem

30/11/2018

castanha do pará

A castanha-do-pará merece toda a fama conquistada: tem gordura boa, dá saciedade, é rica em minerais e tem poder antioxidante. Mas, se for ingerida em excesso, também pode fazer mal.

 

“Eu vejo as pessoas dizerem apenas: coma castanha. Ninguém fala sobre a quantidade de selênio que ela possui e o quanto consumir desse alimento”, diz a nutricionista Graziela Biude Silva Duarte, que é doutora em ciências pela USP (Universidade de São Paulo) e pesquisa a castanha-do-brasil, como é mais conhecida a noz no meio acadêmico.

 

O selênio é um mineral com função antioxidante, que ajuda a reduzir o estresse oxidativo (excesso de radicais livres) no organismo, relacionado com o aparecimento de várias doenças, como aterosclerose. A castanha-do-pará é a principal fonte natural de selênio. O problema é que às vezes ela tem selênio demais –e, em excesso, esse mineral é tóxico.

 

“Meu sogro foi para Rondônia e comeu um saquinho com 15 unidades. O primeiro sintoma que ele teve foi diarreia”, afirma Graziela. Se o consumo excessivo continuar por mais tempo, diz ela, a pessoa pode ter queda de cabelos e ficar com as unhas fracas. O quadro clínico é conhecido como selenose.

 

Qual é, então, a quantidade recomendada de castanha? Depende de onde vem o produto. A concentração de selênio na noz varia de acordo com a quantidade do mineral no solo. No Brasil, as castanhas da região Norte são as que mais têm selênio, e as do Sudeste, as que menos têm, de acordo com amostras analisadas pelo Laboratório de Nutrição e Minerais da USP.

 

“Encontramos desde castanhas-do-brasil com cerca de 50 microgramas de selênio até unidades com mil microgramas”, diz Graziela. A recomendação diária de selênio para adultos é de 55 microgramas por dia (µg/dia). A ingestão máxima tolerável, que não traz efeitos adversos para o organismo, é de 400 µg/dia.

 

Conclusão: se você comprar castanha-do-pará num mercado em São Paulo ou em outra cidade do Sudeste (ou mesmo do Sul), em geral, pode comer até duas por dia. Se comprar (ou ganhar) castanha da região Norte, talvez seja melhor comer uma ou duas unidades por semana.

 

Depois de encontrar tanta diferença nos níveis de selênio, pesquisadores já falam na importância de informar a concentração do mineral no rótulo dos produtos. “Esse dado seria importante tanto para que os profissionais de saúde sejam capazes de orientar uma porção segura do alimento, bem como para a população, que pode optar pelo consumo de uma noz por dia ou por semana”, diz Graziela.

 

A castanha produzida no estado do Amazonas, em geral, é riquíssima em selênio. No Acre, em algumas regiões, o solo é mais pobre no mineral. Segundo ela, não é preciso deixar de consumir o alimento. A principal recomendação é a ingestão moderada.

 

Com moderação, a castanha ajuda a equilibrar o perfil lipídico (aumenta o colesterol bom), além do efeito antioxidante, benéfico principalmente para quem tem diabetes ou é obeso, de acordo com pesquisas.



Fonte: Folha de S. Paulo | Portal da Enfermagem

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