São Paulo, 23 de janeiro de 2018
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Embriões descongelados e frescos têm eficácia parecida em fertilização

12/1/2018

Embriões

Dois novos estudos de grande porte demonstram que mulheres que sofrem de infertilidade não relacionada a um problema hormonal comum podem ter mais opções de fertilização artificial. Em mulheres que sofrem da síndrome do ovário policístico (SOP), descongelar embriões antes do implante oferece probabilidade maior de gestação e parto bem sucedidos, mas nas mulheres que não sofrem dessa doença recorrer a embriões descongelados não apresenta resultados melhores nem piores do que os obtidos com o uso de embriões frescos, constataram pesquisadores na China e no Vietnã.

 

As constatações podem encorajar os médicos a implantar apenas um embrião por vez, reduzindo os riscos com as tentativas de implantar maior número de embriões –que produzem gestações e partos múltiplos e as complicações a eles associadas. Os estudos, publicados pelo "New England Journal of Medicine", são "boas notícias para mulheres em busca de fertilização artificial", disse Lan Vuong, principal autora do estudo vietnamita.

 

Depois que um estudo inicial conduzido por uma equipe chinesa demonstrou que embriões descongelados eram melhores para as mulheres que sofrem de SOP, "muita gente chegou apressadamente à conclusão de que deveríamos usar sempre embriões congelados. Alguns programas de fertilização artificial dos Estados Unidos já não usam embriões frescos", disse Christos Coutifaris, da Escola Perelman de Medicina, Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, que não participou das novas pesquisas.

 

"Agora, esses dois estudos, ambos grandes e conduzidos com pacientes que não sofrem de SOP, demonstram que, em partos que resultam em bebês vivos, que são o resultado que nos interessa, não existe diferença", ele disse à Reuters Health por telefone. "Assim, aplicar em todos os casos a regra de que embriões devem ser congelados provavelmente não é correto."

 

Vuong afirmou que no passado os médicos implantavam mais de um embrião fresco em uma paciente, devido à preocupação com a possibilidade de que a transferência de embriões frescos não funcionasse tão bem. O fato de que embriões congelados produzam "a mesma proporção de gestações, e com menos complicações, deve transformar a maneira pela qual fertilizações artificiais são realizadas", ela afirmou à Reuters Health por e-mail. "Depois da primeira transferência de embrião fresco, será possível congelar os embriões restantes e transferi-los um a um, se necessário, sem reduzir a chance de uma gestação bem sucedida."

 

Vuong, da Universidade de Medicina e Farmácia da Cidade de Ho Chi Minh, e seus colegas constataram também que mulheres com altos teores do hormônio feminino progesterona podem apresentar resultados melhores de fertilização quando recebem um embrião que tenha passado por congelamento e descongelamento.

 

Coutifaris, presidente da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, disse que teor mais elevado de progesterona pode indicar que o desenvolvimento do embrião e o do útero estão fora de sincronia, e que usar um embrião descongelado permite um cálculo melhor do momento de implantação.

 

Isso serve como exemplo "do desafio que nós, os profissionais de saúde precisamos enfrentar para determinar que pacientes se beneficiarão de uma abordagem que usa apenas embriões congelados", ele disse.

 

No estudo chinês, que envolvia 2.157 mulheres que estavam passando por seu primeiro ciclo de fertilização artificial, o índice de sucesso foi de 48,7% nos casos em que embriões descongelados foram usados, ante 50,2% para os casos com uso de embriões frescos. Os médicos tipicamente implantam dois embriões por tentativa.

 

No estudo vietnamita, com 782 mulheres passando por sua primeira ou segunda tentativa de fertilização, o índice de sucesso, com parto de bebês vivos, foi de 33,8% para os embriões congelados e 31,5% para os embriões frescos. A média de embriões implantados por tentativa também foi de dois. Em ambos os estudos, a diferença entre os índices de sucesso dos dois grupos foi tão pequena que pode se dever ao acaso.

 

Nenhum dos dois estudos constatou risco maior de complicações pós-natais ou obstétricas em qualquer dos grupos, ainda que as transferências de embriões congelados tenham produzido risco estatisticamente mais baixo de superestimular ovários, o que conduz a ovários inchados e doloridos, e pode ser perigoso.

 

No estudo chinês, o número de pacientes com SOP era de 0,6% entre as que receberam embriões congelados e 2% entre as que receberam embriões frescos. O autor sênior foi Zi Jiag Chen, da Universidade de Shandong, que não respondeu a perguntas encaminhadas por e-mail. A melhora surgiu primordialmente de uma redução no número de bebês perdidos depois que uma gestação foi iniciada.

 

"O custo de congelar embriões é cerca de 30% mais alto que o de uma transferência de embrião fresco", disse Vuong. "Mas a efetividade do tratamento deve ser considerada em decisões sobre que abordagem tem melhor custo/benefício. Fizemos uma análise de custo/benefício dos dois tratamentos e constatamos que congelar embriões e transferi-los subsequentemente não tem custo/benefício melhor que a transferência de embriões frescos."



Fonte: Folha de S. Paulo | Portal da Enfermagem

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