São Paulo, 25 de fevereiro de 2020
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Notícias

Enchentes aumentam risco de doenças infecciosas, bacterianas e de pele

13/02/2020

enchentes

Na caótica segunda-feira (10), quando a cidade de São Paulo recebeu o segundo maior volume de chuvas para o mês de fevereiro em 77 anos, a mídia e as redes sociais foram bombardeadas com imagens de pessoas tentando atravessar a pé as vias importantes da cidade que ficaram debaixo d’água, como as marginais Tietê e Pinheiros.

 

Além do risco de acidentes, o contato com a água ou lama de enchentes é nocivo à saúde e pode acarretar doenças infecciosas, bacterianas e de pele. Bactérias importantes, como a Escherichia coli ou a salmonella, causadoras de infecções graves e intoxicação alimentar, respectivamente, estão presentes nas águas de enchentes. João Prats, infectologista da BP (Beneficência Portuguesa de São Paulo) orienta a manter o corpo sempre protegido. 

 

“Se estiver em área de enchente, proteja o corpo, principalmente os pés. Fique calçado mesmo se o sapato estiver molhado. Depois, faça uma boa higiene do corpo e das mãos com água e sabão”, orienta. Outra dica é evitar manusear objetos que estavam junto à água suja, além de usar botas, luvas de borracha ou até mesmo plásticos duplos. O ideal é jogar fora medicamentos e alimentos que ficaram expostos às enchentes.

 

A ingestão de água ou alimentos contaminados pode causar doenças diarreicas (causada por bactérias vírus ou parasitas), hepatite A (transmitida pela mistura da água com esgoto) e febre tifoide (transmitida por bactéria encontrada nas fezes de animais, a Salmonella typhi). A médica Flávia Jacqueline Almeida, infectologista pediátrica do Sabará Hospital Infantil, afirma que o cuidado com as crianças deve ser redobrado. 

 

“Os governos precisam elaborar campanhas para conscientizar as famílias sobre o perigo de deixar as crianças brincarem na enxurrada. É perigoso para acidentes e doenças. Se houve contato com a água suja da chuva, ao menor sinal de febre e diarreia procure atendimento médico”, afirma.

 

Ela também chamou a atenção para a importância de manter atualizada a caderneta de vacinação dos filhos, porque a hepatite A —uma das doenças que podem ser transmitidas pela água contaminada— é prevenível com vacina disponível na rede pública para crianças de 15 meses a menores de cinco anos.

 

Para Milton Lapchik, infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia, a maior preocupação gira em torno das situações de risco para leptospirose —transmitida por uma bactéria presente na urina dos ratos. “A leptospirose pode iniciar com um simples quadro de febre, mal-estar e dor muscular. Quem apresentar esses sintomas deve buscar atendimento médico rápido”, explica.

 

Outro agravante são os traumas e ferimentos sofridos durante os alagamentos, elevando o risco de contrair tétano —também existe vacina gratuita. A pele não escapa do risco de doenças, com o surgimento de piodermite e celulite infecciosa, por exemplo. A porta de entrada para este tipo de problema são os ferimentos. “Todos devem estar atentos às boas práticas de prevenção em saúde, condições de higiene pessoal e de alimentos”, afirma.

 

Numa situação de enchente, é importante ter certeza de que a água está adequada para uso e consumo. Caso contrário, coloque uma colher de hipoclorito de sódio (encontrado em farmácias) a cada litro de água e deixe ferver por 15 minutos.

 

ÁGUA DE CHUVA TRAZ RISCOS À SAÚDE

 

Leptospirose transmitida por uma bactéria presente na urina dos ratos

 

Bactérias como a Escherichia coli ou a Salmonella causadoras de infecções graves e intoxicação alimentar

 

Ingestão de água ou alimentos contaminados pode causar doenças diarreicas (causadas por bactérias, vírus ou parasitas), hepatite A e febre tifoide


Dicas

  • Proteja o corpo; use botas e luvas de borracha
  • Fique calçado
  • Depois de sair da enchente, lave o corpo e as mãos com água e sabão
  • Evite manusear objetos que estavam na água ou na lama
  • Não deixe crianças brincarem na água


Fontes: Infectologistas João Prats, da Beneficência Portuguesa; Flávia Jacqueline Almeida, do Sabará Hospital Infantil; e Milton Lapchik, da Sociedade Brasileira de Infectologia



Fonte: Folha de S. Paulo | Portal da Enfermagem

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