São Paulo, 19 de janeiro de 2021
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Estomaterapia | Angela Boccara

Profa Dra Maria Angela Boccara de Paula – TiSobest
Integrante da Comissão de Ética da Sobest – Associação Brasileira de Estomaterapia. Editora da Revista Estima. Professor Doutor do Departamento de Enfermagem e Nutrição. Docente do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Humano. Universidade de Taubaté - Email: comunicacao@sobest.com.br

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Prevenção, Estomaterapia e Diabetes Mellitus

O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença que acomete número grande de pessoas, mais de 463 milhões de adultos com diabetes em todo o mundo. O Brasil, de acordo com dados do International Diabetes Federation (IDF), ocupa o quarto lugar com maior número de pessoas com diabetes do mundo. Cerca de 7% da população brasileira, segundo informações do Ministério da Saúde tem diabetes.

Complicações decorrentes dessa doença são várias, mas vamos dar destaque a polineuropatia diabética (PND), que corresponde a até 30% dos casos. É uma das complicações mais comuns decorrentes do DM longa evolução, especialmente devido ao controle glicêmico inadequado(1-4).. A PND, com frequência, antecede o aparecimento de ulcerações nos pés em pessoas com DM. Uma vez instalada é responsável por alterações na sensibilidade protetora dos pés, ou seja, a insensibilidade aos estímulos dolorosos, pressóricos, térmicos e táteis poderá estar presente. Disfunções musculoesqueléticas e alterações na integridade cutânea também podem surgir (1,5).

Profissionais de saúde precisam estar atentos a esses dados e informações. A equipe interdisciplinar é fundamental para o manejo de pessoas com DM e os enfermeiros atuam de forma a identificar fatores de risco que favorecem complicações, desenvolvem programas educativos, intervenções e monitoramento contínuo(1).

Enfermeiros estomaterapeutas estão capacitados para desenvolver junto à equipe multiprofissional orientações e cuidados para prevenção de complicações, em especial as ulcerações nos pés, que muitas e muitas vezes pode resultar em amputações que poderiam ser prevenidas.

Assim, a Estomaterapia pode contribuir de diversas formas desde a prevenção até o processo de reabilitação da pessoa com DM, especialmente para aquela que desenvolve o pé diabético. A inspeção rigorosa e a palpação, alterações dermatológicas, musculoesqueléticas, vasculares e neurológicas devem ser sempre investigadas, para que seja possível determinar a classificação de risco, por meio de escores, inclusive o escore de risco para ulcerações, permitindo definir a periodicidade de acompanhamento (1).

Instrumentos de avaliação validados e protocolos de cuidados são fundamentais para direcionar as condutas a serem adotadas. A identificação de pessoas com DM em risco de ulceração e a implementação de medidas preventivas, são aspectos relevantes para redução de amputação. A educação para o autocuidado é primordial na prevenção, deve ser simples e repetida muitas vezes, em todas as oportunidades. Deve incluir cuidados diários simples como a inspeção, hidratação e a orientação de calçado adequado por exemplo.

Ações educativas são fundamentais para pessoas com DM, cuidadores e familiares. A Associação Brasileira de Estomaterapia: estomias, feridas e incontinências - SOBEST disponibiliza a cartilha educativa que pode ser utilizada em ações comunitárias ou em consultas de enfermagem, facilitando assim o entendimento da condição. Disponível para download: http://www.sobest.org.br/arquivos/VS_NEUROPATIA_PERIF__RICA_.pdf.

Referências

1-) Lucoveis MLS, Gamba MAr, Paula M A B, Morita ABPS. Grau de risco para úlceras nos pés por diabetes: avaliação de enfermagem. Rev. Bras. Enferm. [Internet]. 2018 Dec [cited 2020 Nov 08] ; 71( 6 ): 3041-3047. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71672018000603041&lng=en. http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0189.

2-)Rathur HM, Boulton AJ. Recent advances in the diagnosis and management of diabetic neuropathy. J Bone Joint Surg[Internet]. 2005[cited 2016 Oct 4];87B(12):1605-10. Available from: http://www.boneandjoint.org.uk/content/jbjsbr/87B/12/1605.full.pdf

3-) Boulton AJM. Management of Diabetic Peripheral Neuropathy. Clin Diabetes[Internet]. 2005[cited 2016 Oct 4];23(1):9-15. Available from: http://clinical.diabetesjournals.org/content/diaclin/23/1/9.full.pdf

4-) Boulton AJM. Neuropatias Diabéticas. São Paulo: AC Farmacêutica; 2014. 302 p.

5-) 5 Boulton AJM. Neuropatias Diabéticas. São Paulo: AC Farmacêutica; 2014. 302 p.

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