São Paulo, 18 de março de 2019
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Anna Nery: primeira enfermeira do Brasil entra para o Livro dos Heróis da Pátria

04/12/2009

O Diário Oficial da União publicou, em 3 de dezembro, a lei que inscreve a enfermeira brasileira Anna Justiça Ferreira Nery (Anna Nery) no Livro dos Heróis da Pátria. O livro está depositado no Panteão da Liberdade e da Democracia, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. A lei foi sancionada pelo presidente em exercício, José Alencar.

 

Ana Nery estará ao lado de nomes que como ela destacaram-se na defesa do ideário da liberdade e da democracia, como Tiradentes, Marechal Deodoro da Fonseca, Zumbi dos Palmares, D. Pedro I e Duque de Caxias, dentro outros.

 

A inscrição do nome de Ana Nery no "Livro dos Heróis da Pátria" constitui o reconhecimento do Parlamento Brasileiro ao papel da mulher na história do País e é uma é uma justa e oportuna homenagem a um dos personagens da História brasileira que, por sua atuação como enfermeira, principalmente durante a Guerra do Paraguai, ofereceu sua vida à Pátria, para sua defesa e construção, com excepcional dedicação e heroísmo.

 

 

Ana Justina Ferreira Nery (1814-1880) – Anna Nery

 

Ana Nery nasceu na vila de Cachoeira de Paraguaçu, na Bahia, 13 de dezembro de 1814 e morreu aos 66 anos, no Rio de Janeiro.

Quando decidiu ir para a Guerra do Paraguai, em dezembro de 1864, ela morava em Salvador com os filhos Isidoro Antônio, Antônio Pedro e Justiniano. Seu marido, o capitão-de-fragata Isidoro Antônio Nery, já havia falecido.

Em 1865, ela enviou ofício ao Presidente da Província solicitando trabalho como enfermeira voluntária. Alegava dois motivos: socorrer os feridos de guerra que estavam lutando em defesa da pátria e estar junto aos filhos que já se achavam em frente de batalha. Logo que o pedido foi deferido, ela partiu de Salvador incorporada ao décimo batalhão de voluntários (agosto de 1865), na qualidade de enfermeira.

Ana Nery permaneceu com o exército brasileiro por quase cinco anos. Na guerra, perdeu um filho e um sobrinho e teve extraordinária atuação. É considerada, portanto, a primeira enfermeira voluntária no Brasil.

Quando regressava da guerra, recebeu várias homenagens. Foi presenteada com uma coroa de ouro onde estava gravado "À heroína da caridade, as baianas agradecidas", dada por uma comissão de senhoras baianas residentes no Rio de Janeiro. Por sua atuação na Campanha do Paraguai, Anna Nery foi denominada pelo Exército de "Mãe dos Brasileiros". Posteriormente, Carlos Chagas também a homenageou, batizando com seu nome a primeira escola oficial brasileira de enfermagem de alto padrão, em 1926, na cidade do Rio de Janeiro.

Em 1938, Getúlio Vargas, assinou o decreto nº 2.956, que instituía o "Dia do Enfermeiro", a ser celebrado a 12 de maio, devendo nesta data ser prestadas homenagens especiais à memória de Anna Nery, em todos os hospitais e escolas de enfermagem do País.

E neste 2009, por intermédio da Lei nº 12.105, de 2 de dezembro de 2009, Anna Justina Ferreira Nery entra para o livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília - Distrito Federal.

 

 

Livro dos Heróis da Pátria

O Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, criado em novembro de 2007, por lei assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, perpetua nomes dos brasileiros e de grupos de brasileiros que tenham dado a vida pela pátria “defendendo ou construindo, com dedicação e heroísmo”. A distinção é feita depois de 50 anos da morte ou da presunção de morte do homenageado.