São Paulo, 26 de janeiro de 2020
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São Paulo ganha novos hospitais voltados para classe A

14/01/2020

Hospitais público A

A operadora de planos de saúde Prevent Senior e o centro de tratamento oncológico A.C.Camargo devem inaugurar novas unidades de atendimento em São Paulo até o final do primeiro semestre de 2020. Os novos hospitais foram planejados para suprir demandas da classe A, ainda que não exclusivamente.

 

Dona da rede Sancta Maggiore, que conta com oito hospitais e quatro unidades de pronto atendimento, a Prevent Senior planeja lançar até junho o Hospital Sancta Maggiore Morumbi. De acordo com a operadora, o novo hospital contará com oito centros cirúrgicos e 159 leitos, divididos entre enfermaria, apartamentos e UTI.

 

Os detalhes, "pensados exclusivamente para oferecer ainda mais conforto e acolhimento", segundo a assessoria de imprensa, incluem, por exemplo, lounges e jardins internos nos andares, 2.000 m² de área verde e iluminação natural nos leitos, nas áreas comuns e até nas salas cirúrgicas. Além disso, todos os apartamentos possuem suítes exclusivas para os acompanhantes.

 

A unidade do Morumbi faz parte do plano de expansão da Prevent Senior, que deve entregar outros 11 novos hospitais nos próximos anos. Entre os projetos, a operadora anunciou também, sem previsão de inauguração, a Cidade Prevent Senior, localizada em uma área de 58.000 m² na Mooca, zona leste de São Paulo. “Todos os beneficiários da Prevent Senior terão direito a utilizar as novas unidades da rede própria Prevent Senior, independente do plano contratado, sem custo adicional”, informou a operadora, por meio de nota.

 

Para a médica Ana Maria Malik, coordenadora do Centro de Estudos em Planejamento e Gestão da Saúde da Fundação Getúlio Vargas (FGVsaúde), o crescimento da rede Prevent Senior se deve, em parte, à padronização do atendimento. "Se você quer ter uma rede, faz parte do desenho saber quem você é e que tipo de serviço você quer prestar", diz.

 

Malik identifica a mesma característica no plano de expansão do A.C.Camargo, que tornou-se referência no tratamento de câncer, segundo ela, justamente por garantir a mesma qualidade de atendimento a todos os pacientes. “O que muda, a rigor, é o tipo de instalação”, explica. “Não vamos trazer coisas pirotécnicas ou de muito luxo”, afirma Marcos Cunha, superintendente de negócios do A.C.Camargo. Em fevereiro, o centro começa a primeira fase de atendimentos na nova unidade, localizada no Itaim Bibi, zona oeste de São Paulo.

 

O hospital é parte do resultado de um investimento de R$ 360 milhões, destinados também à Unidade Pires da Mota, na Liberdade, e à Unidade Castro Alves, na Aclimação, inauguradas, respectivamente, em agosto e outubro de 2019. O plano de expansão prevê também o lançamento de mais uma unidade no Tatuapé até 2024. Juntos, os novos hospitais do centro A.C.Camargo adicionam à estrutura da rede 161 consultórios, 67 salas de quimioterapia, 43 salas de exames diagnósticos, 18 salas cirúrgicas e dois complexos de radioterapia.

 

“A ideia é que todos os serviços que não necessitem de internação passem a estar próximos de onde as pessoas vivem ou trabalham. Você sai do trabalho, por exemplo, faz a consulta ou mesmo uma sessão de radioterapia e volta pro trabalho”, explica Cunha.

 

A unidade do A.C.Camargo no Itaim Bibi não possui quartos para internação e, por isso, os pacientes que precisam de cirurgia continuarão sendo encaminhados para a unidade central. 

 

Segundo o superintendente, o A.C.Camargo tem um histórico de menor participação da classe A entre seus pacientes. A localização em um bairro nobre, com detalhes que incluem vista para o Parque Ibirapuera e atendimento personalizado na área de convivência, é, para Cunha, uma oportunidade de dar mais visibilidade ao centro. “Não temos intenção de brigar ou iniciar uma competição por esses pacientes [da classe A] de uma forma predatória, mas que a gente possa trazer mais uma alternativa”, diz.

 

Para Malik, da FGVsaúde, em tese, não há certo ou errado no esforço de redes hospitalares em tentar atrair a classe A. “Há dois jeitos diferentes de olhar pra isso. Tem gente que encara como um negócio que pode ser uma commodity de luxo e tem gente que procura atender da melhor maneira possível ao custo mais racional possível”.

 

A médica chama a atenção, entretanto, para os hábitos de pacientes que enxergam na saúde uma área de consumo como outra qualquer. “As pessoas acabam confundindo saúde com consumir procedimentos, bens e serviços ditos de saúde. Fazer mais exames é cuidar melhor da saúde? #sqn [só que não]”.



Fonte: Folha de S. Paulo | Portal da Enfermagem

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