São Paulo, 6 de dezembro de 2019
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Nanopartículas de sílica podem contribuir para o combate de bactérias super resistentes

28/11/2019

nanopartículas

Nanopartículas de sílica revestidas de carboidratos podem contribuir para o desenvolvimento de medicamentos mais eficientes no combate à infecções. É o que revela um estudo desenvolvido por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) em colaboração com profissionais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).


De acordo com o estudo, publicado na capa da última edição da revista alemã Advanced Functional Materials, as nanopartículas de sílica revestidas de carboidrato são capazes de levar princípios ativos de medicamentos com precisão até o alvo de infecções. Também foi demonstrada uma maior capacidade de ligação à membrana de bactérias, o que permitiria, por exemplo, a liberação controlada de doses menores de antibióticos, capazes de eliminar infecções e minimizar os riscos do surgimento de resistência bacteriana.


Resistência bacteriana


As bactérias resistentes a antibióticos são um dos problemas de saúde pública mais alarmantes, causando aproximadamente 700.000 vítimas fatais a cada ano. O surgimento de novas bactérias resistentes e a falta de medicamentos eficazes são alguns dos desafios deste complexo cenário médico. Se nada for feito, estima-se que este número aumente para cerca de 10 milhões de mortes até 2050.

 

A administração de múltiplos ciclos de antibióticos estimula o surgimento de bactérias resistentes, e patógenos com resistência a múltiplas drogas obrigam os pacientes a prolongadas internações hospitalares, aumentando também os custos associados ao tratamento.

 

Atualmente, o desenvolvimento de novos medicamentos costuma ser dificultado pela alta toxicidade dos novos compostos e pelo alto custo de produção. Além disso, a evolução da resistência bacteriana ocorre em ritmo muito mais acelerado do que o necessário para se obter novos produtos aprovados para uso em tratamentos médicos.

 

Por isso, é urgente o desenvolvimento de novas estratégias para minimizar a resistência a antibióticos, particularmente as cepas super-resistentes. Uma dessas novas estratégias é adaptar a farmacocinética dos medicamentos estabelecidos, isto é, o caminho percorrido pelo medicamento e seu metabolismo pelo organismo.

 

O estudo

 

Este novo sistema visa especificamente o ataque a células de bactérias chamadas Gram-negativas, que apresentam maior patogenicidade. As nanopartículas apresentam alta estabilidade em meios biológicos além de baixa citotoxicidade e desprezível adesão inespecífica a outros alvos devido ao revestimento pelo carboidrato gluconamida.

 

Dado o rápido surgimento de patógenos resistentes como um reflexo profundo do uso indevido e de altas doses de antibióticos, a diminuição da quantidade de antibióticos prescritos é imprescindível. Nesse cenário, a capacidade de direcionamento do sistema projetado também é uma estratégia para combater a resistência bacteriana.

 

Fonte: [1] Capeletti, L. B., de Oliveira, J. F. A., Loiola, L. M. D., Galdino, F. E., S. Santos, D. E., Soares, T. A., O. Freitas, R., Cardoso, M. B., Gram-Negative Bacteria Targeting Mediated by Carbohydrate-Carbohydrate Interactions Induced by Surface-Modified Nanoparticles. Adv. Funct. Mater. 2019, 1904216. DOI: 10.1002/adfm.201904216



Fonte: divulgação | Portal da Enfermagem

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