São Paulo, 13 de novembro de 2019
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Preenchimento labial ganha espaço entre mulheres jovens

08/08/2019

preenchimento labial

O preenchimento labial virou tendência entre jovens. Antes voltado para pessoas mais velhas ou com alguma assimetria no rosto, virou agora queridinho entre mulheres com menos de 25 anos que querem ficar com lábios mais carnudos e sair bem em selfies. Mas, segundo especialistas, é preciso tomar cuidados antes de realizar o procedimento.

 

Não faltam inspirações de bocas turbinadas: a socialite Kylie Jenner, a cantora Anitta e as atrizes Bruna Marquezine e Cleo Pires são algumas das famosas adeptas ao preenchimento e que colecionam milhões de seguidoras nas redes. 

 

A divulgação massiva do procedimento estético, seja por meio de fotos de celebridades ou de perfis de supostos especialistas com antes e depois de pacientes (prática proibida pelo Conselho Federal de Medicina) e a popularização do ácido hialurônico contribuíram para o aumento na procura entre meninas, diz Niveo Steffen, presidente da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica). 

 

"Antigamente, o preenchimento era buscado, basicamente, por pessoas com mais idade", diz. Isso porque, com o envelhecimento, os lábios murcham. O procedimento veio com a promessa de ajudar a melhorar isso e deixar o rosto mais harmônico. 

 

Steffen explica que foi por volta da década de 1980 que o preenchimento labial começou a ganhar espaço. Os produtos aplicados, contudo, eram rapidamente absorvidos pelo organismo, e o efeito durava apenas alguns meses. A aplicação também não era tão simples: era feita de maneira cirúrgica e podia deixar cicatrizes. 

 

Os estudos avançaram e médicos começaram a adotar o ácido hialurônico, substância presente no organismo, entre as células. Por causa disso, não costuma gerar efeitos colaterais no paciente. E fica nos lábios por até dois anos. "Representou uma revolução na dermatologia, possibilitando fazer verdadeiras cirurgias sem corte", afirma Betina Stefanello, da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia). A aplicação do ácido é feita em cerca de 30 minutos, por meio de agulha ou cânula. A boca do paciente é anestesiada antes. 

 

Os lábios nunca foram um problema para a estudante Natasha Corrêa, 19. Fez o procedimento, em abril, porque apareceu uma oportunidade: viajaria com duas amigas para Dubai e poderia realizá-lo de graça com a mãe de uma delas, cirurgiã plástica que vive por lá. "Quando ela ofereceu, comecei a reparar que meus lábios eram meio pequenos em cima", diz. 

 

Não fez nada muito exagerado: só colocou um pouco de ácido hialurônico no lábio superior. "Amei o resultado", conta. "Mas tive que dar uma editada em umas fotos da viagem, porque a boca ficou toda roxa depois."  Segundo ela, muitas amigas aderiram ao procedimento, inclusive mais novas: "Acho que é porque está na moda, né. Foram na onda."

 

A estudante Ana Luiza Mangeon, 19, por sua vez, aderiu ao preenchimento porque achava os seu lábio superior diferente do inferior. Fez pela primeira vez no início de junho deste ano, acompanhada da mãe, que também o fez.

 

Duas semanas depois, voltou para retocar e aplicou um pouco mais de ácido hialurônico. Pagou R$ 1.000 pela seringa. "Foi tranquilão. Amei o resultado. Adoro tirar selfie agora fazendo bico", conta. "E vicia. Já estou achando os lábios pequenos, quero fazer mais." Mangeon conta que sua maior referência no quesito lábios grossos é a atriz Angelina Jolie. "Muitas artistas estão exagerando. Ficam com boca de pato", diz. Para Steffen, a procura passou, de fato, um pouco do ponto. "Existe um banalização dos procedimentos com objetivo econômico", diz Steffen. "E aí observamos aberrações, como consequência de intervenções fora dos padrões preconizados de equilíbrio facial."

 

Stefanello recomenda que seja feito quando o paciente tem alguma assimetria facial, lábios com aspecto envelhecido ou algum distúrbio. "Não sou contra preenchimento, mas quando existe indicação. Podemos, só mexendo no lábio, mudar a autoestima de alguém", diz. Ela cita como exemplo casos em que o paciente tem paralisia facial. 

 

Dizer que é perigoso aplicar em jovens é exagerado, segundo Stefanello. "Mas acho que estamos incentivando um modismo. Se causa algum problema psicológico, tudo bem. Se não, é preciso ter uma boa conversa antes", afirma. 

 

A estudante Rebeca Rique, 18, conversou bastante com os pais e a dermatologista antes de fazer preenchimento. Fez duas vezes, aos 17 e aos 18 anos. Não gostava do fato de o lábio superior se recolher quando sorria. "Ficou bem sutil, as pessoas não percebem. Só falam que a boca está muito bonita", diz. Ela conta que os lábios ficaram um pouco mais inchados logo depois da intervenção. "Mas depois, supertranquilo para beijar e comer". Apesar dos bons resultados, conta que não pretende fazer de novo. 

 

Os riscos do preenchimento são baixos, se a intervenção for feita por um profissional habilitado. Mas existe o risco de a agulha atingir um vaso ou artéria, causando obstrução. Nesse caso, o paciente pode ter uma leve isquemia e necrose se o problema não for rapidamente resolvido. Quando a circulação de sangue naquela área é interrompida, costuma-se resolver o problema com a enzima hialuronidase para dissolver o ácido hialurônico. Em casos mais graves, é preciso fazer cirurgia reparadora. Outra orientação é pesquisar sobre o profissional que realizará o procedimento. E ler bastante sobre o assunto. "O Instagram não é o melhor lugar para descobrir informações sobre preenchimento", diz Stefanello.



Fonte: Folha de S. Paulo | Portal da Enfermagem

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