São Paulo, 21 de maio de 2019
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Estudo mostra por que devemos explicar benefícios de alimentos a crianças

13/05/2019

crianças

Reza uma das histórias mais queridas de especialistas em alimentação do mundo todo que quando as tiras do marinheiro Popeye surgiram, na década de 1930, o consumo de espinafre disparou entre crianças. Seria mesmo eficaz relacionar os benefícios dos alimentos de forma lúdica? Um estudo publicado nesta semana na revista científica Journal of Nutrition, Education and Behavior garante que sim.


Explicar para as crianças os benefícios de cada alimento é uma estratégia eficaz para fazer os pequenos comerem de forma mais saudável. A conclusão é de um estudo da Universidade Estadual de Washington e da Universidade Estadual da Flórida, nos Estados Unidos.


Os pesquisadores descobriram que frases como “se você comer lentilhas, vai ficar mais forte e correr mais rapidamente” eram mais eficientes para convencer crianças a comerem do que apenas oferecer os alimentos sem nenhuma explicação. O trabalho revela que há o dobro de chance de as crianças aceitarem as comidas mais saudáveis quando são informadas sobre os benefícios em termos que possam entender.


“Toda criança quer ser forte, rápida, pular mais alto”, diz a principal autora do estudo, Jane Lanigan, professora do Departamento de Desenvolvimento Humano da Universidade Estadual de Washington. “Com esses argumentos, as comidas ficam mais atraentes.” A primeira infância é um período crítico para o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis. Mas, em um mundo repleto de ofertas de fast-food e doces, a maioria das crianças tem dificuldade de aceitar algumas refeições.


Para entender a importância da informação agregada, os especialistas ofereceram alimentos saudáveis a um grupo de 87 crianças de 3 a 5 anos. Antes de o experimento começar, pediram às crianças que informassem o quanto gostavam de quatro comidas: pimentão, tomate, quinoa e lentilha. Durante as seis semanas da experiência, os pesquisadores ofereceram os alimentos que as crianças menos gostavam com informações sobre os benefícios. Os demais alimentos eram oferecidos sem nenhuma explicação. “Um mês depois do fim do experimento, descobrimos que as crianças estavam comendo o dobro dos alimentos sobre os quais receberam explicações, em comparação com os demais”, afirmou Jane.


A pesquisadora, que tem dois filhos, disse que poderia ter feito as coisas de forma diferente, se tivesse as informações que têm hoje. “Muitas vezes dizemos aos pais o que as crianças devem comer, mas não como fazê-las comer. E isso é muito importante.” O horário das refeições, diz, é um bom momento para que os pais estimulem a exploração de diferentes alimentos.


Exemplo


O pediatra Roberto Cooper, da Universidade Estácio de Sá, diz que a conversa com a criança é sempre crucial. Mas, segundo ele, o exemplo da família também é importante. “Não dá para cobrar da criança uma alimentação saudável, se a família não come de forma saudável. O exemplo de casa é anterior à explicação. Estamos falando de crianças de 1 ano e meio, que nem falam.” Realista, Cooper ressaltou também a competição desleal da alimentação saudável com a multimilionária indústria dos alimentos processados.


“A verdade é que existe uma pressão muito grande para comer comida processada, industrializada, sobretudo entre as classes sociais menos favorecidas: esses alimentos são baratos e são práticos”, disse o pediatra. “É uma competição desleal.”


A profissional de Educação Física Luciana Tella, mãe de Letícia, de 2 anos, sabe da importância do exemplo. Ela conta que a alimentação saudável é seguida tanto em sua casa como na dos avós. “Procuramos sempre comer salada, legumes e poucas frituras - e mais assados.”


Ela conta que o prato de almoço e jantar de Letícia é composto por legumes, salada, arroz integral, feijão, carne ou frango. “Nós servimos o pratinho dela. Ela escolhe o que ela quer comer. Se ela não quiser comer, a gente não força, mas também não oferecemos nada de diferente. A refeição dela é igual a nossa”, explica Luciana.


Mãe de Gustavo, de 9 anos, e Vinícius, de 4, a empresária Rosana Venceslau também aposta no incentivo em casa, principalmente para o caçula, mais seletivo. Nesta Páscoa, aproveitou para falar da cenoura. “Para você correr como o coelhinho corre e enxergar bem igual ao coelhinho, tem de comer cenoura”, disse a Vinícius. “Ele prestou atenção e consegui convencê-lo”, garante. 


Rosana conta que durante as refeições há sempre legumes e verduras. “Tem de abrir o leque de opções para a criança experimentar e sentir os diferentes gostos”, explica.


Já o empresário Marco Antônio Barone Morales diz que tem dificuldade de mudar o hábito alimentar de sua filha Sofia, de 5 anos.A família tenta introduzir alimentos menos calóricos e mais saudáveis. “A Sofia não come guloseimas e nem costuma repetir o prato. Aos pouquinhos, a gente consegue introduzir um legume, uma fruta. Mas na maioria das vezes ela fica com nojo, tem ânsia de vômito e joga fora”, disse Morales.


PRESTE ATENÇÃO


1. Dê o exemplo. Se a família toda só come pizza, vai ser difícil convencer os mais novos a comer brócolis ou outros vegetais.

2. Selecione. Evite dar para as crianças os alimentos processados. Os pequenos não compram nada. Então, não ofereça nem leve os produtos para casa.

3. Explique. O novo estudo mostra que é importante contextualizar, dizer para a criança as vantagens dos alimentos, em uma linguagem que ela possa entender.



Fonte: O Estado de S. Paulo | Portal da Enfermagem

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