São Paulo, 25 de abril de 2019
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Anticorpos da mãe podem proteger bebê contra herpes, diz estudo

11/04/2019

Vírus da herpes

Um estudo descobriu que os anticorpos contra o vírus do herpes simples (HSV) são transmitidos por meio da placenta. Ou seja, se a mãe estiver imunizada, o bebê também fica.

 

Essa proteção é importante porque a doença é muito grave nos recém-nascidos. Os bebês podem ser contaminados durante o parto normal, se a mãe tiver herpes vaginal, ou nos primeiros meses de vida, por meio do contato com alguém infectado.

 

O vírus também é transmitido por meio de relações sexuais. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 67% da população com menos de 50 anos carrega o herpes tipo 1, que causa lesões na boca, mas é quase sempre assintomático. O tipo 2, genital, acomete 11% das pessoas entre 15 e 49 anos.

 

O herpes neonatal é raro: estima-se que aconteça uma vez em cada 10 mil partos. Mas metade dos bebês que entram em contato com o vírusdesenvolve infecções que se agravam muito rapidamente e se espalham por todo o corpo, atingindo principalmente o cérebro. Há risco de morte e sequelas neurológicas importantes como dificuldades para falar e andar e problemas no aprendizado.

 

“Sabemos há bastante tempo que os anticorpos contra os vírus do herpes estão no sistema nervoso dos humanos. A questão era descobrir se eles podiam proteger os bebês”, explica David A. Leib, professor do Departamento de Microbiologia e Imunologia da Escola de Medicina Darmouth Geisel e um dos autores da pesquisa.

 

Durante os trabalhos, os pesquisadores vacinaram parte dos camundongos contra o herpes. Quando eles se reproduziram, os cientistas infectaram os filhotes com o vírus, mas as proles das mães imunizadas não contraíram a doença, o que indica que a proteção foi recebida durante a gestação. Os roedores que não receberam anticorpos morreram em decorrência da infecção ou apresentaram sequelas.

 

Para testar se o mesmo ocorre em humanos, foram coletadas amostras de sangue de 24 mães com anticorpos do herpes, de seus bebês recém-nascidos, do cordão umbilical e dessas mesmas crianças aos dois anos. O estudo comprovou que os anticorpos foram transferidos para os bebês por meio da placenta.

 

De difícil diagnóstico, o herpes pode manifestar apenas sintomas sutis, como febre, e ser confundido com outras doenças. “Só em 50% dos casos aparecem bolinhas pelo corpo, que evidenciam a presença do vírus”, afirma o imunologista e pediatra Victor Nudelman, do hospital Albert Einstein, que não participou do estudo.

 

O mais comum é que os bebês sejam contaminados durante o parto por causa das lesões na vagina da mãe. Cerca de 10% dos casos ocorrem pelo contato com pessoas com herpes labial, de acordo com Nudelman. A recomendação é que essas pessoas usem máscaras perto dos bebês, higienizem as mãos com álcool em gel e, principalmente, evitem beijar as crianças.

 

Foi o que a comerciante Neia Vieira, 50, precisou fazer quando nasceu seu filho Murilo, 22. Ela costuma manifestar a infecção quando está estressada e passou a gravidez com feridas no rosto. “Quando meu filho nasceu, como manda a tradição, me entregaram para beijá-lo. Tive que recusar”, conta. A manicure Rafaela Moreira, 33, acredita que o filho tenha sido infectado por um beijo. Em um post de janeiro deste ano, compartilhado quase 190 mil vezes no Facebook, ela relatou que a criança desenvolveu a doença aos 17 dias.

 

“Ele passou uma noite chorando muito, mas eu pensava que era uma cólica ou algo parecido”, lembra. “Quando acordei no dia seguinte, fiquei chocada com o rosto dele. Estava todo queimado e pipocado. Parecia que alguém tinha jogado água quente.” Ela conta que o filho ficou internado em isolamento por dez dias até que o diagnóstico fosse concluído. Em nenhum momento, segundo ela, os médicos citaram riscos de morte do bebê.

 

“Mas, depois, li a notícia de uma mulher que perdeu o filho de dez dias nos Estados Unidos. Entrei em choque.” Até hoje não há nenhuma vacina eficaz contra a doença. Se a pesquisa avançar e uma vacina contra o vírus for aprovada, o que pode levar anos, o ideal seria imunizar meninos e meninas antes do início da atividade sexual, assim como já acontece com o vírus do papiloma humano (HPV).



Fonte: Folha de S. Paulo | Portal da Enfermagem

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