São Paulo, 25 de abril de 2019
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O exercício parece aliviar a depressão, mas não para todos

19/03/2019

exercícios físicos

É algo que ouço com frequência: uma amiga jura que correr regularmente evita surtos de depressão. Outro diz que que ir à academia antes do trabalho mantém sua firmeza mental.Talvez você já tenha ouvido histórias semelhantes; talvez compartilhe dessa opinião por experiência própria.Esses relatos individuais despertam algumas questões. Existem provas para sustentar a ideia de que o exercício tem efeito sobre a depressão? Se existem, que quantidade de exercício? Diversas pesquisas foram conduzidas para responder a essas e outras perguntas.

 

Um estudo designou seus participantes, 202 adultos com pelo menos 40 anos de idade e pacientes de depressão, para um de quatro grupos. Um dos grupos participava três vezes por semana de sessões de exercício coletivas monitoradas; o batimento cardíaco dos participantes era monitorado enquanto eles caminhavam ou corriam em uma esteira rolante por 30 minutos.

 

Um segundo grupo recebeu instruções semelhantes, mas deveria se exercitar sem monitoração, em casa. Os grupos três e quatro tomavam pílulas - o antidepressivo sertraline em um dos grupos e um placebo no outro. Depois de 16 semanas, os pesquisadores voltaram a avaliar os participantes em busca de sinais de depressão, e constataram que 45% das pessoas que integravam o grupo de exercícios monitorados já não atendiam aos critérios de depressão grave.

 

Nos demais grupos, 40% das pessoas que se exercitavam em casa, 47% das pessoas medicadas e 31% das pessoas que receberam o placebo já não podiam ser descritas como deprimidas. Ou seja, os exercícios monitorados tiverem resultado tão bom quanto os antidepressivos. Por mais promissores que pareçam os resultados, no entanto, o estudo envolvia número baixo de participantes.

 

James Blumenthal, psicólogo da Universidade Duke e coautor do estudo, diz que há diversas pesquisas que, como a dele, sustentam a ideia de que exercícios possam ser úteis no tratamento da depressão. Como o dele, a maioria desses estudos envolveu poucos participantes. "Não existem testes clínicos grandes e envolvendo múltiplos centros", ele diz, o que costuma ser o padrão nos estudos sobre medicamentos bancados pelas grandes empresas farmacêuticas.

 

Também há questões quanto à concepção dos experimentos, diz Chad Rethorst, pesquisador do Texas Southwestern Medical Center. "Qual é a condição de comparação para o grupo de controle?" Uma pessoa que recebe um placebo não sabe se está ou não consumindo um remédio; mas é difícil encontrar um equivalente do placebo para o exercício.

 

Ainda assim, diversos cientistas combinaram resultados de muitos estudos de pequeno porte para determinar se é possível descrever um efeito geral. Essas revisões de estudos anteriores em geral identificaram efeito de pequeno a moderado para os exercícios, nos estudos revisados. Como essas indicações se traduzem no mundo real?

 

"Qualquer tratamento para depressão funciona para algumas pessoas mas não para todo mundo", diz Blumenthal. Isso se aplica a medicamentos, psicoterapia e exercícios, igualmente. Pacientes deprimidos, pela natureza de sua doença, não são pessoas motivadas, diz Rethorst, e assim engajá-los em uma atividade nova e desafiadora pode ser complicado.

 

Os profissionais de saúde mental provavelmente mencionarão o exercício, em companhia de outros comportamentos saudáveis, como o sono, aos seus pacientes, ao mesmo tempo em que prescrevem psicoterapia ou medicação como tratamento principal.

 

Mas não está claro quantos psicólogos ou psiquiatras de fato prescrevem exercício como tratamento.Alguns desses profissionais defendem o exercício. Antonia Baum, psiquiatra que tem um consultório em Bethesda, diz que "sempre peço informações sobre o histórico de exercício de meus pacientes".

 

Quando a adotar um programa de condicionamento físico e segui-lo, ela faz recomendações básicas aos pacientes e os ajuda a identificar alguma atividade que os interesse."É preciso encontrar um caminho sustentável", ela diz. Uma pesquisa conduzida em 2015 aponta que a maioria dos pacientes de depressão teria interesse em tentar "um programa de exercícios formulado para melhorar seu humor".

 

Rethorst revisou os estudos a fim de desenvolver orientações para os profissionais de saúde sobre como prescrever exercícios, incluindo o tipo de exercício, frequência, intensidade, duração e como ajudar as pessoas a persistir em um programa. Qual é a quantidade ideal de exercício? As pesquisas estudadas sugerem que pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica - caminhadas, corridas ou bicicleta - por semana é o suficiente.

 

E isso se enquadra, convenientemente, às diretrizes de saúde pública do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. Alguns estudos viram efeitos positivos de treinamento de resistência ou exercícios com pesos, mas as provas mais firmes existem quanto a exercícios aeróbicos.

 

Para as pessoas que desejam experimentar o exercício como tratamento para o mau humor ou depressão, Rethorst diz que ainda assim é aconselhável consultar um profissional de saúde. "O tratamento clínico ideal incluirá monitoração regular dos sintomas, depois do início de qualquer plano de tratamento", ele diz. Um agravamento dos sintomas poderia conduzir a tratamentos diferentes ou adicionais.

 

Em outras palavras, não inicie um programa de exercícios para tratar a depressão sem ajuda. Se você é realmente paciente de depressão, precisa de tratamento e monitoração. O exercício nem sempre funciona, e o paciente pode correr o risco de não contar com outros tratamentos, caso não esteja sendo tratado por um profissional de saúde.

 

Além disso, manter um programa de exercícios não é fácil - requer tempo, e as pessoas costumam perder a motivação, em dados momentos. Ter apoio social, ao participar de um grupo ou classe de alguma espécie, pode ajudar. Baum diz que ela tem consultas regulares com seus pacientes, em alguns casos semanais, e isso lhe permite encorajá-los a persistir.

 

Blumenthal diz que os participantes dos estudos que avaliou seguem lealmente os programas de exercícios. Mas ele acrescenta que "nossa monitoração é constante. A prestação de contas pode ser essencial". O participante pode precisar de paciência. "Os benefícios começam a surgir em seis a oito semanas - não na hora", diz Blumenthal. "Os medicamentos trabalham um pouco mais rápido". E os exercícios, é claro, são bons para diversos aspectos da saúde. "Acredito no exercício, pessoalmente e para os meus pacientes", disse Baum. "Endosso seus efeitos benéficos".



Fonte: Folha de S. Paulo | Portal da Enfermagem

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Por: marcio

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