São Paulo, 13 de novembro de 2018
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Estudos revelam possí­vel forma de destruir câncer sem efeitos colaterais

31/10/2018

Câncer

Dois estudos publicados neste mês detalham um mecanismo natural que, se aproveitado adequadamente, pode ser capaz de destruir as células cancerosas e sua capacidade de se tornar resistente ao tratamento - sem nenhum dos efeitos colaterais da quimioterapia.

 

A primeira pesquisa foi publicada na revista eLIfe e detalha como grandes RNAs podem ser transformados em pequenos RNAs tóxicos. O segundo artigo, que descreve como essas pequenas moléculas de microRNA usam uma espécie de "código de matar" para destruir as células cancerígenas, foi publicado na Nature Communications.

 

No primeiro estudo, o cientista Marcus E. Peter, que liderou ambas as pesquisas, descobriu que cerca de 3% de todos os grandes RNAs podem ser "cortados" em pequenos pedaços que agem como microRNAs tóxicos que podem matar o câncer. No segundo estudo recente, a equipe de Peter testou quase 4.100 diferentes combinações possíveis de bases de nucleotídeos, na tentativa de encontrar a combinação mais letal e mais tóxica.

 

"Com base no que aprendemos nesses dois estudos, podemos agora projetar microRNAs artificiais que são muito mais poderosos para matar células cancerígenas do que aquelas desenvolvidas pela natureza", explica Peter. "Nós precisamos transformar isso em uma nova forma de terapia." Segundo ele, agora que os pesquisadores sabem o tal "código de matar", podem acionar o mecanismo sem ter que usar quimioterapia ou mexer com o genoma.

 

"Podemos usar esses pequenos RNAs diretamente, introduzi-los em células e acionar o interruptor para matar as células do câncer." A quimioterapia também pode desencadear o RNA tóxico e as moléculas de microRNA, explicam os autores, mas os cientistas esperam usar o mecanismo de uma forma que evite os efeitos colaterais da quimioterapia. Nos dois novos estudos, os pesquisadores "encontraram armas derivadas da quimioterapia". Isso pode evitar esses efeitos colaterais.

 

"Meu objetivo não era criar uma nova substância tóxica artificial", diz Peter. "Eu quero seguir o exemplo da natureza e usar um mecanismo que a natureza desenvolveu." Como o câncer não consegue se adaptar aos RNAs tóxicos, as descobertas podem um dia levar a um tratamento ininterrupto contra o câncer. No entanto, o pesquisador adverte que pode levar muitos anos até que tal tratamento seja uma realidade.



Fonte: Viva Bem | Portal da Enfermagem

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