São Paulo, 19 de novembro de 2018
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‘Treinar autocontrole é mais importante que fazer exercício físico’

12/9/2018

Coach de nutrição

Para emagrecer e manter o peso a longo prazo, é mais importante treinar o cérebro do que seguir uma dieta a risca ou fazer exercícios físicos regulares. É o que defende Gladia Bernardi, nutricionista há 18 anos e coach de emagrecimento há 3.

 

Ela decidiu virar coach depois de perceber que seus pacientes quase sempre voltavam a engordar. “Eu fazia com que eles perdessem mais de dez quilos por mês, mas não conseguiam manter. Então fui estudar neurociência e entendi que o cérebro vem antes do corpo”, disse ela.

 

Em junho, lançou o livro “O Código Secreto do Emagrecimento”(Editora Gente, 176 págs., R$ 29,90), em que conta parte do método que usa com seus pacientes e ensina em cursos para outros profissionais.

 

Qual é o erro mais comum das pessoas que tentam emagrecer? Acreditar que precisamos tratar só o corpo para perder peso. O médico receita o medicamento, a nutricionista dá a melhor dieta, a pessoa entra na academia e mesmo assim não consegue emagrecer. Isso porque enquanto o corpo está tentando emagrecer sua mente está lutando contra. É a mesma coisa que querer apagar o fogo com gasolina.

 

A raiz da obesidade está na cabeça, no cérebro de sobrevivência, que faz com que a gente queira comer por prevenção, para fugir da escassez. Faz parte do inconsciente, e só conseguiremos emagrecer se o consciente dominar o inconsciente.


A nutricionista e coach de emagrecimento Gladia Bernardi (Divulgação)

 

É mais importante então treinar o cérebro do que adotar uma dieta específica? Sim. O autocontrole é a raiz de tudo. O cérebro come antes da boca. Antes de comer, você já planejou, sentiu, salivou. O cérebro de sobrevivência quer que a gente coma o tempo todo para se prevenir da escassez. Já o cérebro emocional quer que a gente coma para fugir de algo ou preencher um vazio. É preciso trabalhar para dominar esse inconsciente e ter controle sobre os alimentos. Precisamos criar uma blindagem emocional, para que a pessoa seja capaz de dizer não quando lhe oferecem um doce.

 

As pessoas sempre vão oferecer comida, você vai ir num jantar ou festa, vai continuar em sociedade. É impossível dominar as variáveis externas. Você só vai emagrecer se tiver um controle interno sobre o meio externo. O meio não vai mudar, não tem como tirar tudo da sua frente, você que precisa mudar.

 

Por que é tão difícil resistir a tentações? Nosso cérebro inconsciente sempre opta pela economia de esforço. Procuramos o caminho mais fácil em tudo –a indústria sabe disso e facilita nossa vida com alimentos prontos. Para mudar, temos que procurar o caminho mais difícil.

 

O hábito é como se fosse uma estrada de terra. Quanto mais você passa por ela, mais funda e mais larga ela fica. Para criar um novo hábito você precisa formar uma nova estrada, achar um novo caminho, ainda cheio de obstáculos. E isso tem que ter uma primeira vez. É aí que o coach entra, ensinando a pessoa a construir novas estradas neurológicas com prática e repetição. Com o tempo, o cérebro acaba se esquecendo do caminho antigo e optando pelo novo. Emagrecer é destruir hábitos que estão arraigados, muitas vezes desde criança.

 

Como sair do piloto automático? Muitas vezes não pensamos antes de comer, somos movidos pelo impulso. O cérebro racional não domina o emocional. É preciso se questionar. Uma ferramenta que uso no coaching de emagrecimento chama ciclo da recompensa. É um exercício em que convido a pessoa a pensar quais serão as recompensas a curto, médio e longo prazo das suas escolhas.

 

Quanto tempo ela leva para comer um brigadeiro? Como ela vai se sentir depois? Muitas vezes ela diz que vai ficar culpada. E daqui alguns meses, quando for à praia, como ela vai se sentir? E daqui dez anos? Por outro lado, se ela não comer o brigadeiro, qual recompensa vai ter? E daqui alguns meses? Qual dessas duas vidas ela quer levar? A pessoa deve pensar nisso sempre. Para não se esquecer, ela pode colocar recados no computador, fazer marcas na mão. Isso é uma das ferramentas usadas para controlar o impulso, existem muitas outras.

 

Você fala no livro sobre 23 sabotadores do emagrecimento. Quais são os principais? Perdas na infância, perdas profissionais, falta de afeto familiar. Cada sabotador tem um pensamento, um sentimento, uma mentira. A pessoa pode comer muito porque quer, no fundo, fugir do sexo, ou então porque associou comida a afeto na infância. Os sabotadores são como fantasmas, ficam escondidos e muitas vezes não são combatidos. Precisamos trazê-los à luz da consciência para combater a raiz do problema.

 

As pessoas se fazem diariamente a pergunta: por que não consigo emagrecer? Essa foi a pergunta que mais ouvi durante minha vida profissional. A resposta está no inconsciente. Sem saber disso, a pessoa não vai conseguir emagrecer.

 

Gladia Bernardi, 42 - Formada em nutrição, atua como coach de emagrecimento há 3 anos. Autora do livro “O Código Secreto do Emagrecimento”  (Editora Gente, 176 págs., R$ 16,90)



Fonte: Folha de S. Paulo | Portal da Enfermagem

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