São Paulo, 15 de dezembro de 2017
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Soropositivo aos 20, youtuber diz que HIV é 'doença social'

4/12/2017

Youtuber

O youtuber Gabriel Comicholi resolveu contar para o mundo que tem HIV. De uma vez, assim que soube. Isso faz um ano e meio. Em abril de 2016 ele estreava seu "HDiário", onde relata e mostra como são os primeiros momentos de quem, de repente, se descobre com o vírus. No caso dele, o achado veio em um exame "de rotina" por conta de uma suspeita de caxumba.

 

As histórias passam por vários pontos, como o desastroso primeiro encontro com um infectologista (ele trocou de médico) e os efeitos dos remédios antivirais, como "grogueza", moleza, calor e tontura (que somem depois de um tempo –hoje ele diz não sentir efeito colateral algum). Essas mudanças em sua vida, diz, o deixaram mais humano e o fizeram ter muito mais cuidado com a saúde.

 

Hoje, aos 22, ele se sente satisfeito por atuar como uma espécie de "ponte para a informação", atingindo pessoas que dificilmente receberiam a mensagem por meios tradicionais. "O número de jovens em risco é grande, e eles consomem mídia de maneira muito diferente hoje. Não adianta fazer campanha para jovens em um canal de TV se o público-alvo dele são mulheres entre 54 e 70 anos."

 

Uma tecla em que Gabriel bate frequentemente é a do uso da camisinha. "Todo mundo sabe que existe, mas poucos sabem todas as suas funções. O que mais aparece é o uso dela para prevenir gravidez precoce. Aí, um mês antes do Carnaval, aparece uma campanha. Mas ninguém consegue assimilar da forma como é colocado." Quanto à origem de sua própria infecção, o youtuber diz até tê-la investigado, mas não se recorda de nenhum possível deslize.

 

Gabriel defende que no tema HIV/Aids haja uma comunicação "mais orgânica" e eficaz. "A informação que chega para mim não é a mesma que chega para uma travesti negra de periferia." Em sua avaliação, a principal questão é que o HIV e a Aids hoje se tornaram um "problema mais social do que físico, de saúde". "Não existe mais uma 'cara' da doença, o tratamento está avançado. O que precisamos é realmente lutar contra o preconceito e a falta de informação que faz os números ainda hoje crescerem."



Fonte: Folha de S. Paulo | Portal da Enfermagem

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