São Paulo, 17 de August de 2017
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Dicas do Especialista

O retorno ao trabalho após um afastamento por motivo de saúde é assunto bastante debatido entre os profissionais da enfermagem e, portanto, é o tema do ‘Dicas do Especialista’ desta edição. Quem informa as principais questões pertinentes à readaptação do profissional em suas atividades é a enfermeira do Trabalho Maria Laura Barbirato Apparecido, que atua na Gerência da Saúde do Colaborador do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

 

 

Todo trabalhador que permanece um período prolongado afastado do trabalho, por motivo de doença, ao retornar enfrenta dificuldades: muitas vezes a rotina de trabalho mudou, outras vezes os colegas não são mais os mesmos ou a estrutura do ambiente se modificou por questões de crescimento da instituição. E deve-se levar em conta também a insegurança desse trabalhador diante do que pode acontecer com seu futuro profissional, principalmente quando há limitação causada pela doença que o afastou.

 

Desenvolver uma estrutura na Organização que permita diminuir essas dificuldades é abandonar o olhar de discriminação e deixar de subestimar alguém que pode voltar a produzir, dentro de seus limites. Sendo assim, o Programa de Readaptação do Trabalhador é indispensável nos casos em que a doença for causada pelo trabalho, pois lhe é garantida a permanência no emprego por um ano, conforme a legislação:

 

     O colaborador afastado por motivo de doença está licenciado na

     empresa:

     - Sua vaga não se extingue.

     - Seu posto de trabalho pode ser ocupado, mas ao retornar a vaga

     ainda é dele.

 

     O colaborador cuja doença estiver caracterizada como doença

     profissional ou do trabalho goza de estabilidade no emprego a partir 

     do retorno: a empresa tem que recebê-lo e mantê-lo por 12 meses.

 

 

Os benefícios previdenciários envolvidos neste programa são:

B31 – auxílio doença proporciona estabilidade de 30 dias conforme acordo coletivo e pode ser convertido em B91 pela perícia;

B91 – auxílio doença por acidente de trabalho, que assegura estabilidade no emprego por 12 meses; a reabilitação pode ser determinada pelo INSS e deve ser mantido depósito do FGTS

 

O desafio das empresas atualmente é possibilitar que o trabalho possa ser executado sem aumentar o dano e sem criar novo agravo à saúde, restaurando a sua autoestima. É muito importante dentro de um programa desse tipo que haja o envolvimento da instituição, a parceria com os gestores, a visão multidisciplinar e também a vontade do colaborador em voltar para o trabalho. A base para um programa bem estruturado é a integração.

 

Os que retornam ao trabalho após afastamento de 15 dias também podem ser beneficiados por um Programa bem estruturado.

 

 

Como é administrar a readaptação

- Colaborador retorna com relatório médico recomendando restrição no trabalho.

- Médico do Trabalho (MT) constata limitação e apresenta o caso a D.O.

- D.O. Analisa restrições; comunica cargos e salários; Identifica posições compatíveis

- Informa MT.

- MT verifica com Gestor posição compatível no setor de origem.

- Existe função compatível?  Se sim, colaborador reintegrado; orientado quanto aos cuidados nas tarefas. O colaborador é reavaliado na Medicina do Trabalho em 15 e 30 dias.  Se não houver função compatível, D.O. Verifica inserção do colaborador em outra área. D.O. e MT entrevistam Gestor. 

- É possível acolher o colaborador com as restrições? Se sim, o colaborador é transferido para a nova área. Colaborador reintegrado; orientado quanto aos cuidados nas tarefas; Colaborador é reavaliado na Medicina do trabalho em 15 e 30 dias. Se não for possível acolhê-lo, D.O. verifica inserção do colaborador em outra área; DO e MT entrevistam Gestor. Colaborador vai para nova área.

 

Como trabalhar em conjunto - O Serviço de Medicina do Trabalho avalia condições clínicas e caracteriza as limitações; também considera que atividades podem ser executadas sem risco para o agravo existente.  O setor de Segurança do Trabalho analisa os riscos ambientais e avalia as características ergonômicas do posto de trabalho e das tarefas que poderão ser executadas. O setor de Psicologia oferece suporte para enfrentamento dos novos desafios auxiliando a lidar com as incertezas.  O setor de Qualidade de Vida e o Serviço Social viabilizam atividade física, fisioterapia, acompanhamento médico especializado e reintegração social. A área de Desenvolvimento Organizacional mapeia posições compatíveis com a nova realidade do trabalhador na empresa, possibilita treinamento/capacitação e apóia o gestor.

 

Desafio permanente - Não há garantias de o trabalhador atender as expectativas.  Mesmo assim, é um compromisso da empresa socialmente correta acolher esse trabalhador e possibilitar seu retorno paulatinamente às novas rotinas de trabalho.




Fonte: Maria Laura Barbirato Apparecido - Enfermeira do Trabalho


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6/10/2010 - ELIANA GOMES FERREIRA BARROS Sao Paulo-SP
A entrevista com a Enfermeira do Trabalho, foi bastante esclarecedora e incentivadora para outros profissionais dessa mesma área que ainda não tem esse Programa de Readaptação em seus serviços. Parabéns!

6/9/2010 - Edilene Profeta dos Santos Sao Paulo-SP
gostei do assunto, pois é muito ruim volta ao compo de trabalho se sentindo um peixe fora d,agua, com serteza encontraremos colegas diferentes,metodos,materiais até mesmo outra chefiageralmente somos recolocados em outros setores até nos adaptarmos au antigo,mais eu também gostaria de falar sobre a dificuldade de recolocação com profissionais que estão muito tempo desempregados ou recén formados que não tem estas oportunidades por estarem fóra do campo de trabalho á muito tempo,vai ficando cada vez mais difícil encontrar trabalho.quando um funcionario se afasta ele ainda tem uma motivação ,pois ele sabe que o seu setor pode não ser mais o mesmo mais seu trabalho e colegas estarão lá basta ter paciência que tudo voltará à ser como antes, só se o funcionario não puder mais fazer o que fazia antes mais isso é uma consequencia que ele tem que se adaptar. alias tudo na vida do ser humano é uma adaptação, sómente o desemprego que não.eu sempre estou lendo, tentando ficar por dentro das atualidades, lendo sempre a revista do corem pois ela sempre aborda temas curiosos,porem os cusos são muitos caros . me desculpe se eu fui um pouco ousada mais eu não sei mais oque faser para voltar a faser oque eu mais gosto, que é trabalhar com doentes ,cuidar e ganhar meu dinheiro honestamente,resumindo enquanto algumas pessoas que ficam afastadas do serviço por doença não queren voltar ou até mesmo fazem de tudo para não voltarem para seus setores, outras ficam parados. desde já agradeço pela oportunidade de poder desabafar.



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