São Paulo, 24 de June de 2017
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Dicas do Especialista

Atualmente, cerca de 125 milhões de pessoas no mundo são portadoras de psoríase, doença que acomete igualmente homens e mulheres e pode ser desencadeada em qualquer idade, motivada por influência do meio, de alguns medicamentos ou de estresse.

 

“A psoríase, assim como o vitiligo e muitas doenças de pele, não é contagiosa e pode ser muito bem controlada. E a melhor forma de um efetivo controle é combater o preconceito por meio de informações”, ressalta a enfermeira Maria Helena Mandelbaum, especialista em Dermatologia e Coordenadora do Projeto Dermacamp, que completa “e a enfermagem deve lidar com o cliente sem discriminá-lo, mostrar-se disponível para esclarecer todas as suas dúvidas, ouvir seus anseios e estimular a verbalização de seus sentimentos e emoções”.

 

Segundo ela, a enfermagem tem significativa atuação para que a população portadora e seus familiares compreendam a doença. “É muito importante esclarecer sobre a evolução da psoríase, seus fatores desencadeantes, os tratamentos disponíveis e também sobre o envolvimento emocional que existe”, informa Mandelbaum.

Ela ainda ressalta que a doença é diagnosticada pelo exame clínico, ou seja, é o olho clínico do profissional que será determinante para o diagnóstico rápido e certeiro. “A enfermagem tem papel fundamental nesta questão, já que pode encaminhar o paciente com suspeita de psoríase ao médico dermatologista, a quem cabe fazer o diagnóstico”, explica ela.

 

Maria Helena Mandelbaum ressalta que é necessário que o enfermeiro tenha especialização em dermatologia para cuidar do paciente acometido pela psoríase. “Seria muito bom se tivéssemos enfermeiros especialistas suficientes para oferecer um cuidado especializado a esta clientela, já que a principal orientação que podemos transmitir ao paciente é sobre a etiologia da psoríase, pois é a falta de informação que provoca a discriminação”. A especialização em Dermatologia tem o aval da Sociedade Brasileira de Enfermagem em Dermatologia, SOBENDE, que anualmente, no mês de outubro, em razão ao Dia Mundial da Psoríase (29/10) promove um evento especial para levar conhecimento e as mais recentes evidências sobre a psoríase para todos os enfermeiros interessados.

 

No cuidado a estes pacientes, ainda cabe à equipe de enfermagem aliviar a dor e o desconforto provocado pelas lesões, além de prevenir o aparecimento de outras; prevenir e combater infecções e manter o equilíbrio térmico, hídrico e eletrolítico de seu cliente. Outro importante aspecto para o sucesso do tratamento é a relação de confiança estabelecida entre os envolvidos. “Por se uma doença crônica, as pessoas sofrem o desgaste natural deste tipo de processo e é de extrema importância que o enfermeiro tenha habilidade para lidar com este momento, mantendo sempre a fé e a esperança das pessoas e sua confiança nos profissionais que cuidam dele”, completa Mandelbaum, que finaliza com uma importante informação aos portadores de psoríase: “E necessário que se fique alerta para falsas promessas e produtos milagrosos, que na maioria das vezes somente levam à frustração e pioram o quadro. Existem hoje medicamentos novos, bastante eficazes para o controle da psoríase, e que o dermatologista pode prescrever e monitorar de forma adequada.”

 

 

O que é

A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele que se manifesta, na maioria das vezes, por lesões avermelhadas. Alvo de muito preconceito, a doença não é contagiosa e não atinge órgãos internos. E uma doença benigna, crônica, relacionada à transmissão genética e que necessita de fatores desencadeantes para o seu aparecimento ou piora (principalmente no inverno).

 

Causa

As lesões podem ser causadas por vários fatores, como a reação a medicamentos, infecções, ferimentos na pele e, principalmente, o estresse.

 

Áreas afetas

As áreas mais afetadas são cotovelos, joelhos, couro cabeludo, costas e umbigo. Em mais de 50% dos casos a psoríase pode atingir as unhas, sendo uma de suas principais características o descolamento da unha (onicólise).

Uma pequena parcela da população de pacientes pode apresentar a artrite psoriática, com inflamações nas cartilagens e articulações, que causa dor, dificuldades nos movimentos e alterações na forma das articulações.

 

Sintomas

As lesões são muito típicas, com períodos de exacerbações e remissões, localizados principalmente em superfícies de extensão como joelhos e cotovelos, couro cabeludo, palmas das mãos, sola dos pés (áreas de maior traumatismo). Os quadros de psoríase recebem sua denominação conforme sua localização e aspecto, que podem ser: Psoríase Vulgar; Psoríase Invertida; Psoríase Gutata; Psoríase Eritrodérmica; Psoríase Ungueal; Psoríase Artropática; Psoríase Pustulosa; Psoríase Palmo-Plantar;

 

Tratamento

A psoríase não tem cura, mas há tratamentos com o uso de pomadas e cremes ou mesmo medicação sistêmica. Casos leves a moderados (75% a 80% dos casos) podem ser controlados com medicação de uso local na pele. Os casos mais severos e extensos requerem uma abordagem mais controlada e agressiva, com medicações de uso oral em esquema rotativo, visando o mínimo de efeitos colaterais de cada medicação e uma tolerabilidade maior do paciente com o esquema proposto. A exposição moderada ao sol e a hidratação contínua da pele são importantes para a maioria dos pacientes.

 

Cuidados

- banhos de sol nos horários entre 7 e 10 horas e após às 16 horas são benéficos para a remissão da psoríase;

- o paciente não deve usar substâncias sistêmicas ou tópicas (ex: ervas) sem orientação médica, nem mesmo antiinflamatórios, beta-bloqueadores, antimaláricos e lítio;

- não deve puxar as escamas da pele e nem "esfregá-las" durante o banho, pois isso pode resultar em traumatismos (Fenômeno de Koebner);

- os banhos não devem ser nem muito quentes e nem muito frios;

- as unhas de uma pessoa com psoríase devem ser aparadas regularmente;

- para evitar o ressecamento e fissuras na pele, é indicado utilizar emolientes, desde que prescritos pelo médico;

- durante o tratamento sistêmico está proibida a ingestão de bebida alcoólica.

 

Variantes clínicas

Vulgar - é a forma mais comumente encontrada. As lesões típicas (placa eritemato-escamosa, delimitada, de formato arrendondado a oval, de 1 cm ou mais de diâmetro) podem estar presentes no couro cabeludo, cotovelos, região umbilical, sacra, prega interglútea, genitália e joelhos.

 

Invertida – localizadas nas áreas de flexão, como axilas, antecubital e poplítea.

 

Ungueal - quando ocorre comprometimento das unhas.

 

Gutata - caracterizada por lesões eritemato-escamosas pequenas e arredondadas, presentes predominantemente no tronco.

 

Pustulosa – acompanhadas por pústulas e o cliente pode apresentar febre e mal estar geral.

 

Eritrodérmica - acomete toda a superfície da pele.

 

Artropática - seguida de artropatia inflamatória crônica associada a lesões cutâneas da psoríase.




Fonte: Portal


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